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Jogando e aprendendo a viver:
o que ensinam os jogos clássicos
Gabriela Mendonça
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Eles não têm a tecnologia dos videogames
ou dos jogos de computador. Pelo contrário,
seus seguidores preferem preservar as tradições.
Os antigos jogos de tabuleiro, como dama e xadrez,
e seus derivados mais modernos, perderam terreno
para os joysticks e lan houses , mas mantêm
seguidores fiéis, que organizam encontros
e criam sites para trocar informações
sobre o assunto.
Mais do que passatempo, os jogos de tabuleiro
são vistos pelos adeptos como expressão
cultural dos povos que os criaram, instrumentos
de ensino e uma atividade lúdica que permite
um convívio com outros jogadores. Ao menos
estes foram alguns dos motivos que levaram o promotor
de justiça Mauro Mendonça de Alvarenga,
apaixonado pelo gamão, a se tornar colecionador
de jogos tradicionais e a criar um site na internet
sobre jogos.
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A história começou
quando Alvarenga, aos 18 anos, teve seu primeiro contato
com o jogo de tabuleiro. "Nem me lembro como foi,
pois ninguém na minha casa jogava e eu resolvi
comprar um gamão. Fiquei encantado, mas não
praticava por falta de parceiros", conta.
Há cerca de quatro anos,
quando teve que elaborar um site para a promotoria do
júri em que trabalhava, Mauro começou
a pensar em construir um outro site, sobre gamão.
"Passei a publicar na internet informações
sobre o jogo e também a ler e pesquisar sobre
jogos antigos. De repente, comecei a receber vários
e-mails de interessados", diz. "O site cresceu
e se transformou no Jogos Antigos ( www.jogos.antigos.nom.br
), com várias histórias e links".
Atualmente, o site tem cerca de 1200 acessos por dia
e com 400 e-mails cadastrados de jogadores que querem
trocar experiências.
Festa - Nas conversas virtuais
com jogadores, Alvarenga conheceu um outro aficionado,
o produtor de internet Ricardo Christe, que organiza
a Festa do Peão de Tabuleiro, uma referência
bem-humorada aos rodeios.
A festa, um encontro que reúne cerca de 150
pessoas anualmente para experimentar novos jogos de
tabuleiro de todo o mundo, começa às 14
horas de sábado e vai até o início
da manhã de domingo. "A história
da festa começou informalmente. Viajando para
o exterior em 1997 e 1998, descobri vários jogos
diferentes e apresentei para um grupo de amigos. Aí,
conheci outras pessoas que faziam o mesmo e, em 2001,
começamos a nos reunir para jogar", relembra
Christe. No início, eram 35 pessoas. "A
partir daí, o encontro cresceu, ganhou um nome
e se tornou regular."
Já aconteceram onze edições
em São Paulo, uma no Rio de Janeiro e uma em
Fortaleza. Todos estão registrados no site da
festa ( www.peaodetabuleiro.com.br
).
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Sem disputas O objetivo dos jogadores,
dizem eles, não é a disputa, como
acontece nas lan houses, em que adolescentes brigam
por pontos nos jogos eletrônicos. "A
televisão matou este tipo de entretenimento,
em que as relações com amigos e
familiares fazem parte da diversão. Jogar
pode ser um ótimo programa para convidar
os amigos, ouvir uma música, conversar.
Além disso, conhecer os jogos e sua origem
é a redescoberta da tradição
dessas práticas", diz o promotor Mauro
Alvarenga, que joga gamão com seu filho
Mateus, de quatro anos.
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Ricardo Christe também garante
que a Festa do Peão de Tabuleiro não tem
objetivos competitivos. "É só ir
lá, levar seus jogos e se divertir", diz.
Mauro Alvarenga, que prefere os jogos clássicos,
já esteve em uma das festas organizadas por Christe.
"O foco são os jogos mais modernos, mas
levei o gamão para lá e todo mundo adorou.
Tem espaço para todos", diz Alvarenga.
Quem quiser participar dos encontros da Festa do Peão,
pode se informar no site do evento sobre datas e locais.
A próxima reunião em São Paulo
deve ocorrer na segunda quinzena de julho. No Rio de
Janeiro, a festa acontece na segunda quinzena de junho.
Livros também falam sobre
o assunto
A literatura sobre os jogos clássicos
está, em sua maioria, em língua estrangeira.
Um bom livro em português, que pode ser encontrado
em sebos, é Os Melhores Jogos do Mundo , da Editora
Abril. Neste livro, citando um outro exemplar bem mais
antigo, precursor no assunto, o Livro de Jogos , escrito
por Afonso X, rei de Castela no período de 1252
a 1284, há uma frase que expressa bem a atmosfera
que envolve o mundo dos jogos. "Deus quis que os
homens se divertissem com muitos e muitos jogos, pois
eles trazem conforto e dissipam preocupações".
(GM)
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