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Reportagem publicada em 14/05/2004 - Diário do Comércio  

Jogando e aprendendo a viver: o que ensinam os jogos clássicos
Gabriela Mendonça

Eles não têm a tecnologia dos videogames ou dos jogos de computador. Pelo contrário, seus seguidores preferem preservar as tradições. Os antigos jogos de tabuleiro, como dama e xadrez, e seus derivados mais modernos, perderam terreno para os joysticks e lan houses , mas mantêm seguidores fiéis, que organizam encontros e criam sites para trocar informações sobre o assunto.

Mais do que passatempo, os jogos de tabuleiro são vistos pelos adeptos como expressão cultural dos povos que os criaram, instrumentos de ensino e uma atividade lúdica que permite um convívio com outros jogadores. Ao menos estes foram alguns dos motivos que levaram o promotor de justiça Mauro Mendonça de Alvarenga, apaixonado pelo gamão, a se tornar colecionador de jogos tradicionais e a criar um site na internet sobre jogos.

A história começou quando Alvarenga, aos 18 anos, teve seu primeiro contato com o jogo de tabuleiro. "Nem me lembro como foi, pois ninguém na minha casa jogava e eu resolvi comprar um gamão. Fiquei encantado, mas não praticava por falta de parceiros", conta.

Há cerca de quatro anos, quando teve que elaborar um site para a promotoria do júri em que trabalhava, Mauro começou a pensar em construir um outro site, sobre gamão. "Passei a publicar na internet informações sobre o jogo e também a ler e pesquisar sobre jogos antigos. De repente, comecei a receber vários e-mails de interessados", diz. "O site cresceu e se transformou no Jogos Antigos ( www.jogos.antigos.nom.br ), com várias histórias e links". Atualmente, o site tem cerca de 1200 acessos por dia e com 400 e-mails cadastrados de jogadores que querem trocar experiências.

Festa - Nas conversas virtuais com jogadores, Alvarenga conheceu um outro aficionado, o produtor de internet Ricardo Christe, que organiza a Festa do Peão de Tabuleiro, uma referência bem-humorada aos rodeios.

A festa, um encontro que reúne cerca de 150 pessoas anualmente para experimentar novos jogos de tabuleiro de todo o mundo, começa às 14 horas de sábado e vai até o início da manhã de domingo. "A história da festa começou informalmente. Viajando para o exterior em 1997 e 1998, descobri vários jogos diferentes e apresentei para um grupo de amigos. Aí, conheci outras pessoas que faziam o mesmo e, em 2001, começamos a nos reunir para jogar", relembra Christe. No início, eram 35 pessoas. "A partir daí, o encontro cresceu, ganhou um nome e se tornou regular."

Já aconteceram onze edições em São Paulo, uma no Rio de Janeiro e uma em Fortaleza. Todos estão registrados no site da festa ( www.peaodetabuleiro.com.br ).

Sem disputas – O objetivo dos jogadores, dizem eles, não é a disputa, como acontece nas lan houses, em que adolescentes brigam por pontos nos jogos eletrônicos. "A televisão matou este tipo de entretenimento, em que as relações com amigos e familiares fazem parte da diversão. Jogar pode ser um ótimo programa para convidar os amigos, ouvir uma música, conversar. Além disso, conhecer os jogos e sua origem é a redescoberta da tradição dessas práticas", diz o promotor Mauro Alvarenga, que joga gamão com seu filho Mateus, de quatro anos.

Ricardo Christe também garante que a Festa do Peão de Tabuleiro não tem objetivos competitivos. "É só ir lá, levar seus jogos e se divertir", diz.

Mauro Alvarenga, que prefere os jogos clássicos, já esteve em uma das festas organizadas por Christe. "O foco são os jogos mais modernos, mas levei o gamão para lá e todo mundo adorou. Tem espaço para todos", diz Alvarenga.

Quem quiser participar dos encontros da Festa do Peão, pode se informar no site do evento sobre datas e locais. A próxima reunião em São Paulo deve ocorrer na segunda quinzena de julho. No Rio de Janeiro, a festa acontece na segunda quinzena de junho.

Livros também falam sobre o assunto

A literatura sobre os jogos clássicos está, em sua maioria, em língua estrangeira. Um bom livro em português, que pode ser encontrado em sebos, é Os Melhores Jogos do Mundo , da Editora Abril. Neste livro, citando um outro exemplar bem mais antigo, precursor no assunto, o Livro de Jogos , escrito por Afonso X, rei de Castela no período de 1252 a 1284, há uma frase que expressa bem a atmosfera que envolve o mundo dos jogos. "Deus quis que os homens se divertissem com muitos e muitos jogos, pois eles trazem conforto e dissipam preocupações". (GM)

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