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GO, algumas variantes e outros jogos orientais  

"Hoje, 9 de setembro de 1978, tive na palma da mão um pequeno disco dos trezentos e sessenta e um que se requerem para o jogo astrológico do go, esse outro xadrez do Oriente.

É mais antigo que a mais antiga escritura e o tabuleiro é um mapa do universo. Suas variações negras e brancas esgotarão o tempo: nele podem se perder os homens como no amor ou no dia.

Hoje, 9 de setembro de 1978, eu, que sou ignorante de tantas coisas, sei que ignoro mais uma, e agradeço a meus numes essa revelação de labirintos que já não explorarei".

- O Go, Jorge Luis Borges -

O jogo de Go é um jogo aparentemente simples e sem graça. Porém sua simplicidade é aparente. É chamado de Wei-chi (pronuncia-se "Uei chi") na China e Baduk na Coréia. É conhecido entre seus apreciadores como a "arte da harmonia"... Um jogo entre dois adversários de grande habilidade, terminará com as pedras numa disposição absolutamente harmônica.

Diz-se que Mao Tsé Tung, líder chinês, ainda como guerrilheiro, adestrava seus comandados com elementos retirados do GO.

Um mestre do xadrez, EMANUEL LASKER, teria dito "o xadrez está preso aos habitantes desta terra, mas o GO de algum modo vai além do nosso mundo. Se em qualquer outro planeta existem seres racionais, então eles conhecem o GO". Afirma ainda Lasker, que o Go é o jogo ideal para uma mente matemática...

Existem variantes (que podem mesmo serem verdadeiramente consideradas outros jogos) para serem jogadas sobre o mesmo tabuleiro (ou em partes dele) e com as mesmas peças do Go, com por exemplo "Gomoku" ou "Renju", com regras bem mais simples na qual o vencedor é aquele que conseguir alinhar 5 peças da mesma cor.

O Go é certamente um dos jogos mais antigos e inteligentes da história da humanidade. O mesmo Lasker teria dito que "Pela simplicidade das suas regras, o Go ultrapassa o xadrez, nada lhe ficando a dever, porém, quanto à fantasia"...

Aproveito aqui para apresentar um quadro comparativo entre o Go e o Xadrez, quadro este que extraí do "Moderno dicionário de Xadrez", Ed. Theor:

GO

XADREZ

1

O Go é jogado em um tabuleiro quadrado possuindo 19 linhas paralelas eqüidistantes, que são cruzadas em ângulos retos por 19 linhas similares

O Xadrez é jogado em um tabuleiro que contém 64 casas de dimensões iguais e que são alternadamente coloridas de "preto" e "branco".

2

Cada jogador tem 181 "pedras" ou discos para serem colocadas em pontos desocupados nas intersecções das linhas

Cada jogador tem 16 pedras das quais nem todas tem as mesmas funções

3

O Go é democrático em seu espírito. Não há diferença entre uma "pedra" e qualquer outra. Um mesmo e igual valor é atribuído a todas as pedras

O Xadrez é aristocrático em seu espírito. As peças diferem em categorias, poder e valor.

4

A partida é começada com a idéia de que o tabuleiro representa a "terra de ninguém", livre e aberta à conquista

Como condição preliminar para a disputa, as peças são alinhadas frente a frente das forças inimigas para a batalha

5

O propósito do jogo é, para cada jogador, ampliar quanto possível seu próprio território sobre a terra virgem

O propósito do jogo é dar mate ao rei oponente

O Go teria surgido na China há 4.000 anos, mas pouco se pode afirmar a respeito de seu aparecimento. Sua origem estaria ligada a astrologia, comparando-se as pedras com as estrelas e o tabuleiro com o céu. As pedras brancas simbolizariam o bem e as pretas, ao contrário, o mal. Como as pessoas eram quem colocavam as pedras, buscava-se um simbolismo no qual o jogador fazia seu próprio destino e este lhe pertencia.

Outra versão afirma que o jogo seria ainda mais antigo e sua origem seria a de um ábaco primitivo.

Um tratado chinês antiqüíssimo, descreve os 361 cruzamentos do tabuleiro como sendo os dias do ano e os quatro cantos como sendo as estações do ano. Mas se o tabuleiro hoje é gravado na forma de 19x19 linhas, já se encontrou tabuleiros com 17x17 linhas, num antigo túmulo chinês.

Outra obra afirma que o inventor do jogo foi o Imperador Yao, por volta do ano 2.300 a.C., e teria por finalidade exercitar habilidades intelectuais do príncipe herdeiro.

Na "Enciclopédia de Jogos" de Scarney, consta que o inventor do Go seria o Imperador Shun, que viveu entre 2.255 a 2.206 a. C., tendo também a finalidade de apurar as habilidade do herdeiro Shokin.

De toda forma, é consenso entre os estudiosos que o jogo é jogado da mesma forma que hoje já há 3.000 anos!

O próprio Confúcio teria se rendido a sedução deste jogo que, no primeiro milênio a.C., teria se tornado o jogo principal dos Imperadores Chineses, passando a competir com as artes da caligrafia e do arranjo floral. Passou o jogo, então a ser estudado profundamente pelos sábios da época.

O primeiro tratado sobre o jogo teria sido escrito durante a dinastia Tang, nos anos 618 a 906 a.C.

O jogo trilhou seu caminho pelo Oriente, sendo que no século XVII, um monge japonês, de nome HONIBO SANAS fundou a primeira Academia para difusão do Go. Esta escola, formou diversas outras, com estilos próprios, mas por trezentos anos foi a mais forte do mundo.

Os tabuleiros e peças de Go eram equipamentos obrigatórios entre a classe dos Samurais, durante as campanhas militares.

Hoje em dia, a popularidade do jogo é tanta, que jornais publicam problemas sobre ele, além de colunas diárias . Existem mesmo jogadores profissionais de Go, que sobrevivem exclusivamente do jogo.

Os tabuleiros são, geralmente, de madeira, assim como as "pedras". Porém existem tabuleiro feitos de madeiras perfumadas, sendo que as peças brancas são feitas de conchas e as pretas de pedra, geralmente ardósia, conchas e pedras somente encontradas em determinadas regiões do Japão.

O número de jogadas possíveis é tão grande, que é calculado em três vezes maior que o número de átomos existentes na Via Láctea, o que inviabilizou, até hoje, um programa realmente eficiente para jogar-se Go no computador... Na seção de programas do site, tenho uma versão eletrônica do Go. Pode-se notar que usa-se, para jogar, somente uma pequena parte de um tabuleiro normal.

Se não suber jogar, na seção de regras, tenho uma excelente apostila sobre o jogo, para ser baixada.

RENJU ou GOMOKU ou GO-MOKU

Uma das "variantes" do Go (e coloco entre aspas pois entendo que na verdade se trata de outro jogo, apesar de muitas similaridades com o Go), o Renju também tem sua origem nebulosa e perdida na noite dos tempos. Mas é, sem dúvida uma das modalidades de jogos mais populares do Japão e outros países, especialmente pelas crianças, mulheres e estrangeiros ocidentais em visita.

O nome completo do jogo seria "Gomoku Narabe", que significaria algo como "coloque cinco em linha". Apesar do som igual, o "Go" do jogo Go e o "Go" do Gomoku são escritos em japonês com ideogramas diferentes. Se no primeiro, "Go" é o nome do jogo, no segundo significa "5".

Fala-se do Renju já em crônicas do final do século XVII e início do XVIII, quando japoneses ricos ou pobres dedicavam-se à prática deste jogo.

Como no Go, as peças devem ser colocadas na intersecção das linhas do tabuleiro. Neste caso, são 14 linhas verticais e 14 horizontais. O objetivo, não é a conquista de territórios, como no Go, mas a simples formação de um "fio de pérolas", ou seja, a colocação de 5 peças em linhas, o RENJU.

Quem inicia o jogo, é sempre o jogador com as pedras pretas. Segundo estudos, o jogador que joga com pretas e portanto inicia a partida, somente perderá o jogo se jogar errado. Se não cometer erros, não perderá.

Teria sido introduzido no ocidente, mais especificamente na Europa, no ano de 1885, sendo conhecido na Inglaterra pelo nome de "Spoil five".

No Brasil, chegou a ser lançado pela Estrela, com o obvio nome de "Quina".

Na seção de programas do site, tenho duas versões do Gomoku para serem baixadas.

HASAMI SHOGI

Tabuleiro da "Jogos da Terra"

Vale observar-se que a pedras são efetivamente "pedras" e pequenos círculos de madeira.

Para facilitar o manuseio, montei o tabuleiro num "pôster" em uma loja de molduras para quadros.

Também, de alguma forma, uma "variação" do Go. Mas neste caso, o jogo tem alguma afinidade com o jogo de damas ou xadrez, na medida em que é jogado numa porção do tabuleiro de Go, com 9x9 casas. As peças são em número de dezoito para cada jogador, em número de dois, peças estas de cores diferentes, habitualmente brancas e pretas. São movidas horizontal e verticalmente, sendo proibido o movimento na diagonal, movendo-se sempre uma casa por vez. Uma pedra pode saltar outra do adversário sem que isso signifique a tomada da peça.

A tradução de "Hasami" seria algo como "flanquear", já que a tomada da peça do adversário se dá justamente quando esta peça é flanqueada por duas outras do adversário.

Teria sua origem na Índia, de onde passou para a China, recebendo lá uma depuração nas suas regras. O primeiro documento conhecido que se refere a este jogo, seria da época de um Imperador de nome Konoye, que teria reinado no século X.

No Japão, o vencedor de um torneio oficial recebe o título de "Meijin".

SHOGI

Segundo o amigo ITIRO KARIYA, " Shogi", ao contrário do que eu pensava, NÃO É "Xadrez" em japonês. O Shogi seria "parente" do xadrez, na medida em que existem peças com "valores" diferentes, e é jogado sobre um tabuleiro.

ITIRO informou o seguinte:

"Primeiro as semelhanças: joga-se para dar xeque-mate, existe promoção e cada peça possui um tipo de movimento. As diferenças começam no tabuleiro: retangular com 9x9 casas sem nenhuma divisão de cor, como já devem ter entendido, as casas não são quadrados perfeitos e por isso o formato do tabuleiro ser retangular".

Foto do livro "Os melhores jogos do Mundo"

As peças são pentágonos irregulares com ideogramas dos dois lados e cada uma tem um tipo de movimento. Para ter uma idéia do que estou falando fica mais fácil ver o tabuleiro.

A disposição inicial das peças é a que segue abaixo:

p p p p p p p p p
  B             T
L C P O R O P C L

p = peão
B = Bispo
T = Torre
L = Lanceiro
C = Cavaleiro
P = general de Prata
O = general de Ouro
R = Rei

Como é feito o movimento:

Rei: uma casa em qualquer direção, não promove

Ouro:
como o rei, mas não anda na diagonal para trás, não promove

Prata:
qualquer casa para frente, e as diagonais para trás

Cavaleiro:
duas casa para frente e uma para o lado

Lanceiro:
quantas casa quiser para frente

Torre:
como a torre do Xadrez

Bispo:
como o bispo do Xadrez

Peão:
uma casa para frente

Para não ter dúvidas: o peão, o lanceiro e o cavaleiro só podem avançar.

Quando atingir qualquer casa das últimas três linhas adversárias as peças que podem são promovidas (viradas do contrário, mostrando o outro ideograma).

Foto do livo "Os melhores jogos do Mundo"

Todas as peças menos o Bispo e a Torre passam a se mover como o General de ouro, O Bispo passa a poder andar uma casa na vertical ou horizontal e mantêm seu movimento normal, com a Torre acontece a mesma coisa, ela pode andar uma casa nas diagonais e mantém seu movimento original.

Você pode escolher não promover uma peça e fazer isso no próximo movimento, mas ela tem que ser capaz de realizá-lo (um lanceiro ou peão na última casa tem que ser promovido. Depois de promovida, uma peça fica assim até ser capturada.

Capturas: se uma peça se movimentar para uma casa ocupada por uma peça adversária ela a captura.

Peças capturadas podem ser colocadas no tabuleiro como se fossem suas: as restrições são as seguintes:

- a peça entra normal, sem promoção, mesmo que seja colocada nas últimas 3 linhas;

- a peça tem que ser capaz de realizar pelo menos um movimento;

- peão não pode entrar dando cheque mate, nem numa coluna onde já exista um peão não promovido de seu exército.

Objetivo do jogo:

Capturar o rei inimigo

Os jogadores não podem pedir empate como no xadrez, o empate só ocorre se uma posição se repetir 4 vezes numa partida

Um rei pode mover para posição de xeque, nesse caso ele deve ser capturado e o jogo acaba.

O Shogi, assim com o xadrez, teria surgido na Índia, provavelmente derivados ambos do "Chaturanga". Com o tempo, os jogos indianos foram sofrendo transformações, ficando parecidos com o que hoje conhecemos como Xadrez e Shogi.

Assim, as semelhanças que o Shogi tem com o xadrez, são derivadas de sua origem comum.

Segundo a tradição japonesa, o jogo descenderia do "XIANG-QI" chinês. O Shogi é conhecido como "Jogo dos Generais", e já seria citado por um documento da época do imperador KONOYE, que reinou entre 1142 a 1155. Mas o jogo só popularizou-se no Japão a partir do século XVI.

essa época surge um personagem, OHASHI SOKEI, tido como o maior jogador de Shogi até então. Chegou mesmo a ser nomeado "Jogador-chefe", no chamado "Império do Mikado Go-yo-zei" (1587/1611) título esse transmissível a seus descendentes. Sokei escreveu diversos livros sobre o jogo, fonte de referencia até hoje.

Em 1927 é fundada a Federação Japonesa de Shogi.

Não é incomum a existência em lugares públicos do Japão de tabuleiros de Shogi, para que as pessoas joguem. Também os jornais publicam problemas do jogo, como aqui no Ocidente publicam-se problemas de xadrez.

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