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Xadrez

Variantes do Xadrez

"Canto uma canção sobre uma batalha preparada,
Antiga e imaginada em dias passados,
Arranjada por homens de prudência e inteligência
Disposto em oito fileiras".
Abrahan Ibn Ezrah
rabino sefaradita (1092-1167)

"XADREZ É LUTA".
Emanuel Lasker - 1868/1941
Mestre Enxadrista

"Foi deflagrada no Oriente esta guerra
Cujo anfiteatro de hoje é toda a terra.
Assim como o outro este jogo é infinito".
Jorge Luis Borges
Poeta

Talvez o mais clássico dos jogos. Mas confesso que não sei jogar, limitando-me a conhecer o movimento das peças.

Conhecidíssima a lenda de que seu inventor, um sábio astrônomo e sacerdote brâmane, de nome Sissa, do Hindustão, teria pedido como recompensa pela invenção do jogo, que o rajá Balhait colocasse um grão de cereal na primeira casa do tabuleiro, dois na segunda, quatro na terceira e assim por diante... O rei mandou fazer os cálculos e descobriu que o que Sissa queria era a quantia de 20 quintilhões de grãos (o numero 2 seguido de 19 zeros...). Não havia cereal no mundo suficiente para pagar sua dívida.

Outra lenda narra que o inventor do jogo seria o grego Palamedes, que durante o cerco imposto pelos gregos a cidade de Troia, inventou o jogo para distrair seus soldados. A mitologia indica Palamedes como autor de outras invenções como o alfabeto e os números.

Em 1863, em Paris, surge a primeira revista inteiramente consagrada ao xadrez. Seu nome: "Le Palamède", em homenagem ao mítico herói grego.

Mas ao que parece (e o que as fontes arqueológicas indicam), seria o xadrez descendente do "Chaturanga", que significa "quatro reis", jogo indiano, onde as peças são movidas após o lançamento de um dado de 4 faces. Interessante: xadrez com dados... Tal jogo, jogado por 4 pessoas e não por somente duas, como hoje em dia, teria sido inventado há mais de 2.000 anos, por volta do século VI a.C.

Da Índia, o jogo passou para China, com o nome de "jogo do elefante". No sexto século depois de Cristo, o jogo chegou a Pérsia, onde recebeu o nome de "chatrang", de onde teria originada a expressão "xeque mate". No ocidente, o jogo teria chegado pelas mãos de Carlos Magno, que teria recebido um tabuleiro de presente do califa Harum-al Raschid, no ano de 650.

Encontrei na internet um artigo interessantíssimo de autoria de SAM SLOAN, intitulado "A Origem do xadrez". Nesse artigo o autor defende que o xadrez foi inventado na CHINA e não na Índia. E da China ganhou o mundo.

Baseado em análises lingüísticas, em coincidências relacionadas com o nome das peças, defende Sam Sloane a origem chinesa do jogo. Vale conferir.

* Analisando a iluminura ao lado, o Dr. RICARDO DA COSTA, Professor da Universidade Federal do Espírito Santo, escreveu:

"O enxadrista é o Marquês Otto IV, de Brandenburg (1266-1309). Como trovador, suas canções não são consideradas obras-primas, nem na linguagem, nem na construção das rimas.

Provavelmente, a origem das trovas deve-se antes às convenções cavaleirescas de sua corte do que propriamente ao talento poético do marquês. Por esse motivo elas se parecem tanto com as canções de seus príncipes parentes.

Na época, as iluminuras dos príncipes germânicos, com os quais o antigo acervo de miniaturas foi expandindo-se e cuja origem deve-se às mãos do primeiro iluminista, normalmente mostram os trovadores em quatro cenas:

1) batalhas,
2) campanhas militares,
3) na arte da falcoaria e
4) em jogos de xadrez."

Uma das poucas exceções é a iluminura do rei Wenzell sentado em seu trono. Para cada uma daquelas quatro representações cavaleirescas, os medievos utilizavam a designação spil (Spiel, brincadeira), um conceito que abrangia todas as formas alegres e descontraídas com as quais os cavaleiros levavam a vida.

Nesta iluminura o marquês é mostrado jogando xadrez com sua dama. O xadrez (do sânscrito shaturanga, ou as quatro angas — as armas [infantes, cavaleiros, carros e elefantes]) é uma invenção indiana do século VII. Em sua forma original, o rei estava montado em um elefante e não existia a rainha — uma invenção da Europa medieval. Chegou à Sicília e Itália meridional por volta do século XI e difundiu-se pela Europa especialmente a partir da Península Ibérica (em todos os casos, regiões limítrofes com o mundo muçulmano).

Na Idade Média, este jogo era reservado somente aos nobres de posição laica, sendo expressamente proibido a todos os membros do clero. Em um exempla da obra Félix ou o Livro das Maravilhas (1288-1289) Ramon Llull (1232-1316) faz com que o protagonista da história, Félix, ouça de Blaquerna que o jogo de damas é desaconselhável aos reis, pois no ócio os reis deixam de fazer o bem:

“— Senhor peregrino”, disse um dos capelães, “uma vez ouvi contarem que um rei muito honrado e muito rico jogava damas. Um sábio homem perguntou àquele rei porque ele estava ocioso e não fazia todo o bem que podia fazer para honrar a Deus, porque Deus havia criado o mundo para que aqui fosse honrado. O rei disse que jogava para que não fizesse e nem cogitasse o mal, e para que passasse o tempo. Aquele sábio disse ao rei que Deus não fizera os reis para fazer ou cogitar o mal, nem para que estivessem ociosos, antes havia criado os reis para fazer o bem por todo o tempo. Enquanto o sábio dizia essas palavras ao rei, um outro sábio considerava em seu coração como tanta bondade se perdia na ociosidade do rei, e tanta maldade acontecia...” - Ramon Llull, Félix ou o Livro das Maravilhas, Livro Primeiro, 12 (http://www.ricardocosta.com/felix12.html).

Às mulheres nobres o xadrez era igualmente desaconselhado, apesar de ser um “jogo sutil” — pelo menos esse foi o conselho do abade Adam de Perseigne a Blanche de Champagne (DUBY, 2001, 93). Por outro lado, Afonso X, o Sábio (1221-1284), rei de Leão e Castela considerava o xadrez “...uma atividade bastante apta para as mulheres” e em sua obra Libro del Acedrex (1283) também afirma que certa modalidade de xadrez foi uma invenção feminina (LAUAND, 1988: p. 23):

“Deus quis que os homens naturalmente tivessem todas as formas de alegria para que pudessem suportar os desgostos e tribulações da vida, quando lhes sobreviessem.

Por isso os homens procuram muitos modos de realizar com plenitude tal alegria e criaram diversos jogos e jogos de tabuleiro que os divertissem (...)

Alguns desses jogos se praticam a cavalo (...)

Há outros que se praticam a pé (...)

Há ainda outros jogos que se praticam sentados como o xadrez, tábulas, dados e muitos outros jogos de tabuleiro.

E ainda que todos esses jogos sejam muito bons, cada um no seu lugar e tempo adequados, os que se jogam sentados são cotidianos e podem ser realizados tanto de noite como de dia, como podem também ser praticados pelas mulheres - que não cavalgam e ficam em casa (...).

Portanto, Nós, D. Alfonso, pela graça de Deus, Rei de Castela, de Toledo, de Leão, de Galícia, de Sevilha, de Córdoba, de Múrcia, de Jaen e do Algarve, mandamos fazer este livro em que tratamos dos jogos de maior compostura como o xadrez, dados e tábulas.

E sendo estes jogos praticados de diversas maneiras, por ser o xadrez o mais nobre e o que requer maior maestria é dele que trataremos primeiramente...”

Libro del Acedrex de D. Alfonso o Sábio (traduzido em LAUAND, 1988: p. 65-66).

O exercício do jogo criou uma tradição nobiliárquica, muitas vezes fantástica e lendária, e servia para os iluministas ilustrarem um dos possíveis modos nobres de instrução - sobre a sociedade, um drama moral humano, mas especialmente sobre a arte da guerra (LAUAND, 1988: p. 24).

Esse é um tema para iluminura muito comum, tanto nasr ilustações épicas quanto em trovas de amores impossíveis, e serviu também como metáfora para a literatura poética da maior parte do século XIV nos livros de xadrez. Através dos gestos das mãos pode-se perceber que o casal discute animadamente a respeito da jogada. No entanto, repare que o indicador da mão direita do marquês — e a posição mais elevada de seu braço — denota a primazia de sua palavra: cabe a ele iniciar o diálogo com a dama.

Em relação à dama, a iluminura pode ter um duplo sentido: o exercício do marquês na arte do amor através do xadrez e a própria imagem da enxadrista associada à peça da dama. Originalmente, a peça utilizada chamava-se firz, farz ou farzin, e designava o conselheiro, um ministro ou mesmo um general. A palavra foi latinizada para fercia, depois fierce, donde, segundo alguns, Virgem. Para alguns, isso constitui um sinal de uma revolução psíquica da Idade Média (ROUGEMONT, 1988, 232-233), pois o jogo de xadrez simboliza uma relação de força que termina com a tomada de controle por parte do vencedor, pois o prêmio estabelecido é sempre alto (CHEVALIER & GUEERBRANT, 1995, 966-967).

Nesta iluminura do Codex Manesse o marquês vence? Toma a dama para si? No tabuleiro percebem-se as peças do cavalo, torre e peões. O marquês tem um cavalo em suas mãos. A peça da dama é mais difícil de precisar. De qualquer modo, eles discutem a jogada, quem foi o vencedor, quem receberá o domínio como prêmio.

O banco em forma de 3 degraus sob o qual senta-se o casal, e o jogo, mostrado de pé para o observador, é revestido com estofamento e almofadas. Ele foi desenhado tão acima da armação inferior do quadro que 4 músicos — retratados em um padrão visivelmente menor — ainda encontram ali espaço. À esquerda de quem observa, dois trompetistas, que geralmente entravam no espaço reservado ao rei num cortejo cavaleiresco, de par em par, e costumavam carregar, além de seus instrumentos, a bandeira de seu soberano. No centro, um percussionista, vestido de verde, e, à direita, um tocador de gaita de fole, com um manto cobrindo seu rosto. Todos os músicos ao pé do quadro têm a função de servirem como representação do louvor ao Príncipe, exatamente como no quadro do rei Wenzell (n. 4).

Por fim, acima da cabeça do marquês encontra-se seu elmo, com um tecido vermelho (que deveria cobrir suas costas) e adornado com penas (um dado muito comum nos elmos dos cavaleiros germânicos). A águia no escudo acima do tabuleiro é o símbolo da região de Brandenburgo (em http://www.ricardocosta.com/manesse2.htm).

Com a morte de Maomé, em 632 d.C, o xadrez travou verdadeira batalha para sobreviver, já que o islamismo proíbe os jogos de azar. O xadrez somente sobreviveu porque o próprio Maomé, ele mesmo um exímio enxadrista, teria afirmado que o jogo serviria como treinamento estratégico de militares.

No século XI o xadrez já estava difundido em toda Europa e era jogado pelas classes mais abastadas e/ou educadas. O Arcebispo de Cantebury teria ameaçado os religiosos de Coxford de colocá-los a pão e água, pois estes não paravam de jogar xadrez, deixando de lado suas obrigações espirituais.

Afirma-se que Pedro Álvares Cabral, Américo Vespúcio e Vasco da Gama eram jogadores de xadrez.

Devemos lembrar que o objetivo do xadrez é fazer com que o rei adversário renda-se. Para tanto, é preciso o raciocínio de um general (ou almirante...). Tem-se que atacar e defender e tentar antecipar as jogadas do adversário. O jogo é, portanto, ideal para essa mistura de negociantes e mercenários que eram os navegadores.

Para quem gosta de números, calcula-se que o número de jogadas possíveis em uma partida é tão grande como o número de átomos do universo...

A maestria no xadrez, como nos demais jogos de tabuleiro, exige alta capacidade de consciência espacial não verbal.

O xadrez, deixo para os entendidos comentarem. Lembro somente o livro “Jogos Lógicos”, do russo E. Guik, da Série “A ciência ao alcance de todos” (Ed. Mir, visando o mercado português), onde o autor aborda variantes deste jogo, entre elas aquelas que seriam jogadas, idealmente, em um tabuleiro cilíndrico... No mínimo trata-se de uma curiosidade que merece ser analisada por aqueles que jogam este nobre jogo.

Com relação aos tabuleiro, parecem válidos os mesmos lembretes feitos para os tabuleiros de gamão. O importante é adquirir-se um tabuleiro no qual se tenha prazer me jogar. Sugiro, um tabuleiro de madeira, preferentemente fixo (não dobrável), em tamanho grande. As peças deverão ser de madeira (ou outro material nobre), de tamanho compatível com o tabuleiro, isto é, nem muito grandes nem muito pequenas. Se possível com chumbo em seu interior, e com a parte de baixo recoberta de feltro. Isto facilita a movimentação.

Existem tabuleiros com as peças dos mais variados materiais e formatos, lembrando aqui peças feitas de madeira, pedra, plástico, marfim, cerâmica, barro,bronze, com os formatos tradicionais, com formatos de "cangaceiros" e já vi inclusive um jogo em que as peças tinham as figuras da série "Jornada nas Estrelas", tanto a série Clássica como a Nova Geração. No mínimo, divertido...

Peças de xadrez- um rei, dois bispos e uma rainha.- peças dinamarquesas e alemãs, esculpidas em presas de leões-marinhos - do livro "Melhores Jogos do Mundo").

A "Origem", tradicional fabricante e loja de jogos, em Junho de 2003, expôs na sua loja de São Paulo, diversos tabuleiros e peças de jogos. Entre elas, tive o prazer de encontrar as peças de xadrez que fotografei:

Segundo a PAULA, gerente da loja paulista, as peças são reproduções. De qualquer forma, lembram muito as peças cuja foto encontrei no livro "Os melhores jogos do Mundo".

Ainda da coleção da "Origem". As peças baseadas em "Alice no país das maravilhas" são ótimas.

Outro conjunto de peças interessantes, é a da casa BAUHAUS. Josef Hartwing, no ano de 1924, desenhou as peças deste jogo, sendo que as peças buscam indicar o movimento que fazem. Assim, o bispo é um "X", já que esta peça se move na diagonal; a torre é um cubo; o cavalo é uma peça em "L" e assim por diante. As fotos abaixo são de um tabuleiro Bauhaus, da Origem. O único senão, na minha opinião, é o tabuleiro em si, feito de camurça. Do outro lado, é um tabuleiro de gamão. Não gosto de tabuleiros "moles", preferindo os tabuleiro fixos.

Em março de 2003, ao comprar um livro num leilão da internet, acabei conhecendo o Dr. ADRIANO FERNANDES MOREIRA, advogado especialista em direito do consumidor, que acabou me mandando uma peça de xadrez (uma torre), feita em porcelana ou algo parecido. Segundo ele, a peça conteria whisky. O adversário que a tomasse (no jogo) tinha o direito de tomar o conteúdo... Não sei se é verdade, mas sem dúvida é uma história interessante e, para quem bebe, deliciosa...

Na torre está escrito "Normam English Tower". Na base está escrito "Beneagles Scotch Whisky".

O ZAMPA, aquele artesão meu amigo, sempre falou que tinha vontade de fazer um tabuleiro de xadrez. Apesar de eu incentivá-lo, sempre ficou meio reticente. Mas no mês de março de 2003, para minha surpresa, mandou-me ele as fotos de um tabuleiro, por ele idealizado e fabricado, num "surto de inspiração", como disse a Flávia, mulher dele.

Ficou realmente uma beleza.

Ainda com relação a tabuleiro, lembro que os antigos imperadores mongóis da Índia, tinham tabuleiros gigantes decorando os pátios internos de seus palácios, onde jogam com "peças vivas", ou seja, usando escravos que vestiam cores diferentes.

Essa tradição teria chegado até próximo aos nossos tempos, já que em 1892, ainda existia na Irlanda, em Dublin, o "Clube de Xadrez com Peças Vivas", sendo que um de seus sócios, um certo Dr. Ephraim McDowl Cosgrave, teria escrito um livro, chamado "O xadrez com peças vivas"...

Em 1951, durante o Festival da Grã-Bretanha, ainda jogou-se xadrez com peças vivas, numa partida entre dois grandes mestres internacionais de nome Rossolimo e Broadbent.

Inúmeros são os sites e programas para computador para se jogar e/ou comentar xadrez. Como dito acima, pouco conheço do jogo, deixando para os mais entendidos a sua dissecação. Lembro somente que o xadrez é um jogo lógico, onde nada é deixado ao acaso. A sorte em nada influi neste jogo. O que conta é a inteligência do seu jogador. Vencerá aquele que melhor souber aproveitar-se de sua estratégia de jogo.

Lembro também que o xadrez pode ser jogado por correspondência, ou e-mail. Não são incomuns, também, os torneios jogados por cegos, onde a única alteração feita é que fica inválida a regra de "peça tocada é peça jogada", já que os deficientes visuais precisam tocar ar peças para saber a sua posição.

São comuns também as variantes do tipo "xadrez relâmpago", além de mestres que jogam diversas partidas simultaneamente, em exibições.

Outra variação interessante, é o chamado "xadrez às cegas": o jogador joga sem ver o tabuleiro, fazendo suas jogada apenas mentalmente. Existem registros que em 1226 já se jogava essa variante, sendo que um siciliano, de nome Buzecca, enfrentaria, dessa forma, três adversários simultaneamente.

Conta-se que o americano Harry Nelson Pillsbury, morto em 1906, seria capaz de disputar 22 partidas simultâneas, às cegas, enquanto jogava, noutra mesa, uma partida de uiste. Sua morte, foi considerada prematura e atribuída pelo jornal "New York Times" aos "excessivos esforços de memória"... Pillsbury teria morrido, porém, de uma prosaica sífilis.

Em 1951, certo Koltanowski, enfrentou 50 adversários simultaneamente, as cegas...

Atualmente, também, adotou-se o uso do relógio, a fim de limitar o tempo dos jogadores, a fim de que a partida dure no máximo 5 horas. Se ultrapassado esse limite, a partida é interrompida e marcado outra data para sua finalização.

Uma curiosidade: no século XVIII, o Barão Wolfgang von Kempelen, conhecido como mecânico engenhoso, encantou o mundo com uma máquina que jogava xadrez. A máquina seria uma grande caixa, com um "autômato", vestido de turco, que disputava (e ganhava...) partidas de xadrez, jogadas contra um adversário humano.

O referido barão percorreu as cortes européias, sendo que sua máquina teria jogado contra diversos adversários, inclusive contra Napoleão e Catarina da Rússia.

Suspeitava-se que, na verdade, havia um (ou mais) anões dentro da máquina que seriam quem, na verdade, jogariam. Porém tal afirmação nunca pode ser comprovada, já que a máquina acabou sendo adquirida pelo Museu Chinês de Filadélfia, após a morte do barão, ocorrida em 1804, e acabou sendo destruída por um incêndio.

* Na edição de dezembro de 2002, a revista Superinteressante (Ed. Abril), traz um artigo sobre o "Turco".

O artigo, escrito com base no livro "The Turk: The Life an Times of the Famous Eighteenth-Century Chess-Playng Machine", de Tom Standage, afirma que o "Turco" seria, como já suspeitado, uma fraude.

Segundo o artigo, Napoleão Bonaparte teria jogado uma partida contra o "Turco". Em dado momento, propositalmente, o Imperador fez uma jogada errada. Foi corrigido pelo "autômato". Fez nova jogada errada e foi novamente corrigido. Na terceira vez em que errou, Napoleão foi surpreendido por uma "crise de nervos" do "robô", que lançou o tabuleiro pelos ares. E de dentro dele, saiu Johann Allgaier, um gênio do xadrez da época...

O Turco acabou indo para os Estados Unidos, onde a fraude ainda não era conhecida, mas passou a ser "recheado" por uma francesa. o escritor Edgar Allan Poe, chegou a escrever um artigo, desmascarando a fraude. Mas o Turco acabou mesmo, num incêndio.

Desenho da máquina de jogar xadrez - extraído do livro "O Grande Livro do Maravilhoso e do Fantástico" - Seleções do Reader´s Digest - 1979

O tabuleiro de xadrez é utilizado também pelo jogo de damas. Deste, diz-se que usa o tabuleiro do xadrez, as peças do gamão e os movimentos do alquerque.

Como curiosidade, cito aqui um quadro comparativo entre os dois jogos, encontrado no "Moderno dicionário de xadrez", Editora Theor S/A, da Coleção Xeque-Mate:

Damas

Xadrez

1

O objetivo do jogo é capturar as peças inimigas

O objetivo deste jogo é dar xeque-mate ao rei inimigo

2

A partida é jogada sobre 32 casas escuras

A partida é jogada sobre todas as 64 casas

3

Cada jogador começa a partida com 12 pedras

Cada jogador começa a partida com 16 peças

4

Na abertura, as pedras ocupam todas as casas pretas nas três carreiras horizontais imediatamente diante dos jogadores

Na abertura, as peças ocupam todas as casas, pretas e brancas, nas duas carreiras horizontais (filas) imediatamente diante dos jogadores

5

As pretas jogam primeiro

As brancas jogam primeiro

6

Todas as pedras se movem e saltam somente para a frente, até que "façam dama"

As diversas peças têm, cada tipo, seus movimento próprios

7

As pedras podem ser promovidas somente a "dama"

Somente os peões podem ser promovidos. Podem tornar-se Damas, Bispo, Cavalos ou Torres, dependendo da escolha do jogador

8

A captura, ou "salto", é compulsória

A captura é facultativa, exceto quando necessária para evitar mate imediato ou posição de "afogado", que é a situação em que o rei não pode se mover, por estarem todas as casas que ele pode alcançar ocupadas (*)

9

A captura consiste em saltar com uma pedra ou dama sobre a peça a capturar, removendo a peça que houve sido saltada

A captura consiste em remover peça capturada, ocupando seu lugar com a peça tomadora

10

Uma ou mais pedras podem ser capturadas de uma só vez

Apenas uma peça pode ser capturada de cada vez

*Agradeço aos amigos PAULO e SIDNEY (não deixaram o sobrenome) que me esclareceram o que é "afogado".Obrigado.

Graças a amabilidade do amigo MÁRIO LÚCIO ZICO, estou podendo disponibilizar uma apostila para o jogo de xadrez, por ele elaborada. A apostila está dividida em três partes "zipadas", em formato "pdf" (é preciso o programa Adobe Acrobat para leitura), trazendo regras e exemplos de jogadas. Para quem está iniciando os estudos do xadrez, é uma ótima ajuda.

O Mário é diagramador de um jornal em Belo Horizonte, é casado e tem três filhas. É um grande colaborador e amigo, sendo que é dele um artigo engraçadíssimo sobre a "História dos Jogos", que se encontra na seção de escritos.

Agradeço ao amigo Mário pela colaboração.

Para fazer o download, clique com o mouse:

COINCIDÊNCIAS?

Existe um livro de Richard Bach (aquele de "Fernão Capelo Gaivota"), chamado "Nada por acaso". No livro, ele procura demonstrar que na vida, nada acontece por acaso...

Não sei se isso é exatamente verdade. O que eu sei, é que este mundo é pequeno, e que as coincidências verdadeiramente acontecem.

Pois bem. Em agosto de 2003, durante minhas férias, fui passar uma semana no empreendimento chamado "Costa do Sauípe", no estado da Bahia. Lá encontrei o ALFREDO, um bom baiano, expondo miniaturas retratando pessoas famosas, personagens da tv, personagens de gibis e etc. Ele as chama de "caricaturas em chumbo".

E para minha surpresa, vi que conhecia as miniaturas de chumbo que ele produzia. Ele vendeu, durante algum tempo, tais miniaturas para a loja Origem, onde eu tinha comprado, um pequeno "Sr. Spock", da série de tv "Jornada nas Estrelas", da qual sou fã até hoje. Isso tem pelo menos uns três anos...

Conversando com ele, mostrou-me, então, peças para xadrez que ele está produzindo, que acabei por fotografar.

Segundo ele, esta foi a primeira "exposição pública" de tais peças, que ele havia acabado de produzir!

Todas as peças são de chumbo, pintadas de dourado e prateado.

E eu gostei, especialmente do cavalo, que me pareceu a peça mais elaborada e detalhada.

Com o "gancho" do "Sr. Spock", sugeri a ele a criação de um conjunto de peças com os personagens de "Jornada". Ele prometeu pensar no assunto...

Para quem interessar, entre em contato com o Alfredo pelos telefones: 9118 0869 / 9928 9777

Ambos os números são da cidade de Salvador/BA.

E continuando as coincidências, no mesmo período, estaria ocorrendo uma exibição de xadrez, onde o consagrado Grande Mestre Internacional ANATOLY KARPOV enfrentaria 21 adversários.

Infelizmente, à disputa eu não pude comparecer. Mas tive o prazer de assistir a uma palestra com o Mestre, que mostrou-se ser uma pessoa extremamente sensível, inteligente, bem humorada, bem diferente, portanto, dos jogadores caricatos que o cinema costuma mostrar.

As palavras de Karpov foram traduzidas para o português (ele falou num inglês fluente) por Giovani Vescovi, campeão brasileiro de xadrez e Grande Mestre Internacional, condição que conseguiu no ano de 1998.

Karpov nasceu em 1951, em uma pequena cidade da Rússia. Aprendeu xadrez já aos 4 anos de idade, filiando-se ao seu primeiro clube de xadrez aos sete. Conseguiu o título de Grande Mestre Internacional aos 19 anos, vencendo seu primeiro Campeonato Mundial aos 24 anos.Afirma ter 157 títulos internacionais. Escreveu mais de 50 livros sobre o jogo, inclusive um para crianças. Só contra seu grande adversário, Gary Kasparov, disputou mais de 160 partidas de xadrez.

Karpov é hoje Embaixador da Unicef, viajando o mundo para divulgar o jogo, além de estar trabalhando na criação de escolas de xadrez, voltadas para o aperfeiçoamento de jovens talentos no jogo.

Além disso, é Diretor Presidente de uma entidade não governamental, que luta pelo fim do terrorismo no mundo.

O mais importante da palestra do Mestre, foi saber que o xadrez foi incentivado pelo governo da antiga União Soviética, que passou a ter programas para seu ensino e desenvolvimento nas escolas.

Com isso, já em 1963, foi realizado um campeonato , que contou com a participação de 460 mil crianças! Hoje, existem somente na Rússia, 3 milhões de jogadores reconhecidos.

Não tenho a esperança de que isso ocorra no Brasil. Mas acredito que talvez possamos nós, individualmente, divulgarmos o xadrez e outros jogos, iniciando em nosso próprio "quintal", incentivando nossos filhos, sobrinhos, vizinhos... Com certeza, eles só terão a ganhar com isso.

E como não poderia deixar de ser, o "pentelhão" aqui teve que tirar uma foto ao lado do Mestre. Não sei nada de xadrez. Mas conheço o "homem".

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